domingo, 31 de julho de 2011

Soneto 23

Tentação

Com olhos que azuis não o são
E fios que loiros não os tenho...
Pureza que não desdenho
Nem nos dedos de uma mão!

Sangue sujo e um coração
Ébrio do vinho do corpo
Que derramado em meu copo
Deleitou-se no salão...

Salão de minha alma nua,
Pele á pele, pele crua
E os lábios da perdição...

Ser que penetra-me o ser,
Lascivo, fútil prazer...
Não resista a tentação!


sábado, 30 de julho de 2011

Soneto 22

Homofelicitis

Sei que devasso não o sou...
De santo, não o tenho nada
Se esta minha mão danada
De vestes o desposou!

Se minha boca o beijou
Este todo labirinto,
Senti com quanto ainda sinto
Certa paz que me tomou.

Meu corpo todo o abraçou.
Sei, e sei que sou igual a ti...
Desta idéia não me despi.

Um mundo desmoronou
Mas se perto a ti me fiz,
Sei, e sinto que sou feliz!


terça-feira, 26 de julho de 2011

Soneto 21

Fruto da Avareza

Pulsa coração farpado
No peito vil que te guarda.
Vaidade na pele parda,
Olhos negros de meu fardo.

A mansidão do leopardo,
A repugnância em teu olhar...
A boca tarda falar
Ao corpo dilacerado.

A luxúria dominante,
O teu corpo alucinante
Sinto morto, não mais forte!

Agora não mais beleza,
Pois o fruto da avareza
Custou-lhe o abraço da morte!


domingo, 24 de julho de 2011

Soneto 20

Ex”cravo” da Rosa

Prepotente o teu encanto
Que faz de mim teu escravo;
Se já fui um belo cravo...
Sois a rosa, sois meu pranto.

Espinhos e formosuras,
Sorte de um belo trevo.
A tal sorte? Não me atrevo!
Em ti, não avistei doçura.

Lês tudo que escrevo,
Mas criticas com brandura
O meu lado mais interno.

Teu coração, um acervo,
Insidiosa armadura...
Sois a calmaria do inferno!


Soneto 19

Dor da Perda

Sutil mágoa do amado,
Vísceras da morbidez,
Fetos da insensatez,
Cólera do desolado.

Avidez do perolado,
Sangue em tua palidez,
Podridão mais uma vez
Em teu corpo perfumado.

Me fazes lacrimejar,
Pois não queria cantar
Esta fúnebre canção...

Meu pulsar é dolorido,
Para onde tenhas ido
Levastes meu coração!


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Soneto 18

Um outro cobertor

Teu disfarce é mais profundo
Neste teu sono eloquente.
Qual o cobertor mais quente?
Que ser diria ser oriundo?!

Hospedeiro de tua mente,
Mero inventor de teu mundo,
Um espírito infecundo,
Um controle onipotente!

O primeiro cobertor,
A mancha de um vil monarca,
O  profano de tua marca...

Um mero avassalador,
Um viril controlador
A vigorar em tua marca...



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Soneto 17

Psicologia de Amigos

Nós Somos apenas  crianças;
Somos nós, adolescentes.
Vivemos assim contentes,
Guardamos assim lembranças.

Somos nós a própria lança;
Somos insanos, potentes...
De outros somos diferentes,
As lâminas da esperança.

Vivemos a melhor música,
Desprezamos qualquer crítica.
Amigos, quase parentes.

Oh, cumplicidade básica.
Amizade? Nossa lógica.
Nossas vidas são coerentes!



terça-feira, 19 de julho de 2011

Soneto 16

O Eu Masoquista

Clímax, orgasmo, prazer...
O chicote e a mordaça.
O que queres que eu faça?
O que podemos fazer?

Me deseje sem querer,
Me beije com toda força.
Morda os lábios, se contorça,
Aprecie todo meu ser.

Toda esta perversão
Me faz gozar de paixão...
Correntes e sofrimento!

Fantasias e luxúria,
Me trazes esta tua fúria...
Satisfação no tormento!


Soneto 15

Bonecas e Beijos

Dentre bonecas e beijos
Um sorriso inocente,
Diante um sonho carente
Os mais promíscuos desejos.

Dentre sílabas, cortejos.
Vulgaridade, a serpente.
Diante o veneno ardente
Os olhos, o lacrimejo.

A vontade de viver
Foi embora com o mar...
Mar de falsas esperanças!

Sob a sombra de um ser
O medo do puro olhar...
Eis, tenebrosas lembranças!


sábado, 16 de julho de 2011

Soneto 14

O Abortado

Este ventre me cuspiu,
Sou feto da ignorância.
Esta é  a primeira infância,
Esta tal que me despiu!

Espelho que se partiu,
Pedaços da intolerância.
Juntas da repugnância
Pela vida que surgiu!

Sexo, amor e vaidade;
Causas da insanidade,
Origens da aflição!

Eu chamaria crueldade,
Não cheguei a ter idade,
Mal ouvi meu coração!!!


Soneto 13

Nem tímido, Nem frígido

Teus olhos, azuis do mar.
Tua pele, alva do algodão...
Frágil bate o coração.
Estou a desequilibrar.

Um olhar de imensidão,
Maciez no acariciar...
Ao pulsar acelerar,
Desde então, daí a mansidão!

Não tenho coração frígido,
Mas derreto como gelo
À luz de um único olhar.

Não direi que sou tão tímido,
Mas sempre quase congelo
Quando te vejo chegar.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Soneto 12

Versos à um Solitário

I

Uma carta, solidão.
Minhas letras rabiscadas,
Minhas frases ilustradas.
Em meus versos, frutração!

Um alfabeto, canção.
Minhas letras deformadas,
Minhas frases acabadas.
Minhas verdades, razão!

A vida com qual sonhar,
Quais letras devo apagar
Pra viver uma canção?!

Quais os sonhos a esperar,
Quais vidas não irei deixar
Pra não viver solidão?!

II

E na poesia, inspiração.
Rascunho no meu caderno,
Nos frígidos dias de inverno...
Flores, minha ilusão!

Desenhos, demonstração.
Apago deste caderno
Todo rabiscado externo.
Erro de um aprendiz?...Não!

É pequena a insanidade.
Somos loucos é a verdade.
Dor, aprendiz da tensão.

Quanto dura a falsidade?
Mais do que uma eternidade...
É o que diz minha versão!



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Soneto 11

Liberdade sem Nome

Toda lama encobre o céu.
O sol e a lua se contraem.
Os opostos não se atraem.
Abelhas derramam mel!

Só a ferrugem me conforta
Os lábios secos ao léo.
De tuas mãos recebo o véu,
Encobre-me a pele morta!

Promessas que me afligiram,
Virtudes que não existiram...
Há saída, mas não há porta.

Colhendo frutos maldosos,
Vivo em pactos amorosos
Uma liberdade torta!


terça-feira, 5 de julho de 2011

Soneto 10

Tentando te Encontrar

Foi Tentando te encontrar
Na ânsia de te perder,
Tentando sobreviver
Sem ter com o que sonhar!

E vendo o sol levantar,
Clarear o amanhecer
Que desejei adormecer
Antes da noite chegar!

Assim, poderia dormir
Ou quem sabe até sonhar,
Durante à noite acordar...

E talvez olhar o céu,
Nas estrelas te ilustrar
E por que não, Te Beijar?!


Soneto 9

Beijo

Escrevi nome tão belo
Nas pétalas duma flor;
Senti nesta, tal amor...
Beijo que mais anelo.

Desejo se torna elo,
Enche-me de tanta cor,
Por sentires tal amor,
Este por qual tanto zelo.

Não é medo de errar,
Não é medo de amar,
Amor, cujo qual tão belo!

És tu que quero amar,
Flor com qual quero estar.
Beijo...Que mais anelo!