terça-feira, 28 de junho de 2011

Soneto 8

Um Recomeço

Todo dito é maldito,
Toda palavra um absurdo
Se ontem cego, hoje mudo...
Uma alma, um corpo aflito!

Corpo a corpo, um atrito...
Um beijo meio que roubado,
Um olhar meio que laçado,
Um abraço quase extinto!

Um fim pra cada começo,
Cada fim um recomeço...
Pra cada amor uma dor!

Para cada erro um perdão,
Um pulsar, um coração,
Um pétala a cada flor!


domingo, 26 de junho de 2011

Soneto 7

O Fim de uma Luz...

Sem perder o foco em luz
Guardei-me em sombras ocultas,
Ao avistar nuvens fajutas
Implorei ao sol que reluz.

Ainda em trevas me seduz
Contemplando tantas faces,
Se em fulgor guardais enlaces
Em trevas prendo-me à cruz.

Enfim, a luz se perdeu
Em pró e dó no firmamento
E Apolo caiu de seu altar...

E a última luz faleceu,
Vens tu com teu sofrimento
Velar o Eclipse Solar!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Soneto 6

Coração

Chora sem lacrimejar;
Repousa, não adormece;
Se enche de brilho, entristece;
Cresce, mas sem humilhar.

Fere-se e também perdoa.
Dorme nos braços da lua,
Choras aos prantos na rua,
Logo levanta-se e voa.

Guarda todas lembranças,
Aceita todas mudanças
Por tentar se apaixonar!

Faz da distancia saudades,
Sobrevive tempestades.
Enfim, aprende a amar!


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Soneto 5

A Sombra de uma Herança

Sandice dos inocentes...
Malícias da juventude...
Onde mora a plenitude?
Suicidaram-se os crentes!

Enfraquecem os potentes,
Elevam-se os mais fracos
E agora os intactos
Tomam na cruz as serpentes.

Se haviam os valentes,
Hoje choram inocentes
O luto e a lembrança!

Se haviam inocentes,
Hoje choram valentes
Por tão pesada herança!


Soneto 4

Se Saudades Matassem

Ah, se saudades matassem.
Elas ferem devagar,
Nos consomem sem cessar...
Quem dera elas nos deixassem.

São vampiras traiçoeiras
Mastigando tua memória,
Procurando tua história,
Levando as noites faceiras.

Por quão te fazem chorar
Uma alegria provisória?
De início são prazerosas!

No fim das contas, lembrar
É o verbo da escória?!
Agora são monstruosas!


Soneto 3

Um conto de Alice

Mordeis a fruta madura
E libarás  doce cálice,
Mordeis mal fruto Alice
E provarás da amargura!

Segue a lebre e te encontras
No paraíso de Dante,
A magia exuberante
Seria apenas “faz de contas”!

Um reino e duas rainhas.
A brancura e belas  vestes
A vermelhidão das pestes!

Negritude singular.
Ao soar da antiga espada
Fim da rainha malvada.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Soneto 2

Tea Party

O convite está feito:
-Sente-se, prove do chá.
-Beba o veneno que há!
-Partilhe seu maior defeito.

Que bela estrela cadente,
Custa um pouco de respeito?
Uma maçã em teu leito
Foi a oferta da serpente!

Vestimentas aos desnudos.
Um bom chapéu, um chapeleiro.
A lagarta onde está?

Metamorfose perfeita.
Bom, se aceitas o convite...
Bem vindo, este é o meu chá!



Soneto 1

Prostituto Arrependido

Cheiro a sexo proibido,
À perdição, ao absinto,
Às curvas do labirinto,
À Um pensamento temido.

Juras de um amor perdido,
Proezas dum olhar faminto,
Feras em um mar extinto,
Cruzes e um peito ferido.

Escrevo palavras fortes,
Descrevo a vida em mortes,
Sigo um caminho de sal...

No pulso a marca dos cortes,
Talvez precise suportes
Pra não morrer desse mal.